Review: Death Note (Netflix)

Título: Death Note
Ano: 2017
Duração: 1h:40min

Baseado na obra de mesmo nome de Tsugumi Ohba e Takeshi Obata a Netflix traz a primeira adaptação ocidental de Death Note às telas. Sem o grande aprofundamento em moralidade e justiça apresentado pela obra original, esta produção da Netflix fica longe de agradar aos fãs e mais parece um filme de sessão da tarde que já assistimos várias e várias vezes. 

O filme passa uma sensação de episódio piloto. Nada é muito aprofundado e as coisas simplesmente acontecem, mesmo o poder do caderno parece deixado de lado diante do romance entre Light e Mia. Por mais que o casal protagonista tenha mais tempo em tela, o aprofundamento dos personagens é tão raso quanto todos os outros, fazendo com que cheguemos ao final ainda sem conhecer realmente os personagens. 

Temos a impressão que no fim nenhum personagem teve o tempo merecido em tela, a direção em si não ajuda muito neste fator com cenas mais curtas. No fim mesmo com um leque pequeno de personagens nenhum consegue a atenção do expectador servindo como meros figurantes de uma história a ser contada. Ironicamente o personagem com menor tempo em tela, o Deus da Morte Ryuk, acaba criando uma lembrança maior e mais imponente que todos os outros personagens. 

ryukRyuk por sinal acaba sendo o único elo verdadeiro entre a obra de Ohba e Obata devido à sua maravilhosa caracterização, mesmo soando mais demoníaco e traiçoeiro em momento ou outro, ainda há a essência do personagem em que se baseia. O mesmo não pode se dizer sobre L, onde há uma tentativa de copiar trejeitos e gerar o reconhecimento do personagem original e tudo acaba soando muito forçado. E ambos, L e Kira, tiveram sua inteligência reduzida se comparado a obra original, fazendo com que Kira não passasse de um colegial “abençoado” com um grande poder e L não soasse tão grandioso como é apresentado na tela. 

Mesmo com o roteiro raso dos personagens, as atuações não impressionam, soando desinteressadas e sem sentimento, talvez com única exceção de Willem Dafoe que em suas poucas cenas consegue ser cativante e prender a atenção. 

A trilha sonora por sua vez acaba sendo um dos poucos pontos de destaque do filme, ela acaba ditando o clima de forma diferente do usual e causando estranheza, porém no fim dá um toque de “arte” e sentimento ao que está na tela. 

Por fim a adaptação peca ao dar mais ênfase ao romance dos protagonistas e acaba caindo em uma trama clichê que todos estão cansados de ver.  Mesmo que desconsideremos a óbvia comparação com a obra original, este novo Death Note criado por Wingard acaba sendo confuso e carente de profundidade. Talvez seja aqui o divisor de aguas, essa falta de profundidade, mesmo que tenha sido feita para abraçar um público mais amplo, a narrativa falha em apresentar esse mundo que de semelhante à obra de Tsugumi Ohba e Takeshi Obata só tem o nome.

Shin

Publicitário e Otaku que tenta de tudo para espalhar a Cultura pop Japonesa pelo Brasil. Twitter Facebook

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