REVIEW: Eve no Jikan

Titulo: Eve no Jikan (Time of Eve)
Ano: 2008
Estúdio: Studio Rikka
Episódios: 6
Duração: 15 min
Gênero: Drama / Sci-Fi

Eve no Jikan é uma série de ONAs (Original Network Animation) produzida pelo Studio Rikka. A serie foi licenciada e transmitida gratuitamente pela Crunchyroll em parceria com o próprio Studio Rikka.

Num futuro talvez não tão distante, androides são postos em uso prático como qualquer outro eletrodoméstico ou eletrônico. Esses androides por terem exatamente a mesma aparência humana são identificados com uma aureola e praticamente automatizaram todo e qualquer trabalho humano.

Eu disse “não tão distante” pelos fatos e características apresentadas não serem tão absurdas assim, pelo contrario, todas as tecnologias apresentadas são perfeitamente plausíveis. Mas como na maioria das tramas envolvendo androides e robôs, há sempre o medo de que a humanidade seja superada pelas maquinas. Um dos primeiros problemas que nos é apresentado é devido ao fato de os androides terem automatizado a maioria dos processos e trabalhos humanos tornando obsoleto o trabalho manual e isso gera protestos de alguns grupos que pressionam a sociedade para consumir apenas alimentos produzidos manualmente.

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Outro grande “problema” ou fenômeno que se torna cada vez mais comum é a criação de um grupo (social?) chamado Dori-Kei, jovens que tratam androides como membros de sua própria família ou tem um afeto anormal por eles. Aí entra Rikuo, um jovem colegial que parece muito preocupado com sua androide Sammy. Rikuo verifica com frequência o log de movimentos de sua androide e descobre um padrão estranho de movimentos em certas horas do dia, como se ela deixasse seu curso normal e agisse por conta própria. Intrigado ele e seu amigo Masaki, resolvem investigar por onde sua androide anda (onde esta Sammy ?).

Seguindo os movimentos de Sammy, ambos descobrem um bar chamado “Eve No Jikan”, onde é estritamente proibido qualquer tipo de preconceito contra androides, ou seja, humanos e androides são iguais. Para “ajudar” seus frequentadores seguirem as regras, dentro do bar as aureolas, único fator que diferencia humanos de androides visualmente, somem. O bar é dirigido por Akiko, a bela garota que tem como objetivo conhecer e promover a socialização sem preconceitos com androides, um lugar onde androides e humanos não tem diferenças. Mas seria essa uma violação das três leis robóticas do grande Asimov?

Intrigado e desconfiado com o lugar, Masaki tenta de toda forma levantar o máximo de informações possíveis sobre o local, pois diferente de Rikuo ele tem uma desconfiança tremenda dos androides. Já seu amigo tenta descobrir as motivações do local e o por que de sua androide o frequentar.

Com 6 episódios apresentados, cada um deles traz assuntos diferentes, mas conhecidos em obras envolvendo robótica. As questões vão de usar androides para satisfação sexual à questões como, “é certo desmontar ou desativar androides?” ainda nesse sentido, “poderiam eles ter criado sentimentos ou entender o significado principalmente espiritual da arte?”. Ao mesmo que com essas questões nos sejam apresentadas as inspirações de Eve No Jikan, conhecemos também a própria historia tanto de Rikuo quanto de Masaki.

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#Considerações Técnicas

Além de um character design bem refinado, todo o cenário que é apresentado não deixa a desejar. Além de bem produzido e mesmo se tratando de um enredo futurista, a série não extrapola, pois talvez com exceção dos androides eu não vejo nada que consideraria impossível ali, incluindo os próprios robôs.
Talvez a única questão técnica que pudesse ter recebido mais atenção seja o sonoro da obra, que é pouco expressivo. Mas na verdade, o que pode se fazer com 15 minutos a cada episodio?

No enredo também não há o que reclamar, Eve no Jikan aborda cada um dos assuntos muito bem, mesmo que em alguns casos de forma subliminar.

Mas e na questão final, sobre o bar violar ou não as leis robóticas?
Esse assunto mesmo sendo o mais sério ou a base da obra foi abordado de forma corrida mas esse fato nos atrela a possibilidade de uma possível continuação.

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#Comentários Gerais

Eve no Jikan realmente conseguiu usar muito bem seus 15 minutos por episódio. O enredo é bem fluido, com uma alternância entre drama e comédia digna de nota, fator esse que nos leva a fundo ao mundo de “Eve No Jikan” e planta em nossas cabeças as mesmas questões apresentadas ao decorrer da série. Androides realmente poderiam um dia adquirir sentimentos? Entender o significado de alma? Se o caráter humano é em base formado por suas vivencias desde que nasceu, o que impediria as “maquinas”, se expostas a mesma vivencia e aprendizado, de adquirirem consciência própria?
Pode parecer exagerado mas não lembro de mais nada vindo da terra do sol nascente que aborde tão bem o assunto com esse foco tão filosófico entre relações humanos x Androides.

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Shin

Publicitário e Otaku que tenta de tudo para espalhar a Cultura pop Japonesa pelo Brasil. Twitter Facebook

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