REVIEW: Midnight Oil – Um Show Esperado por 20 anos

No último dia 29, o Espaço das Américas recebeu uma das bandas mais aclamadas de todos os tempos. Os australianos do Midnight Oil vieram tacar fogo na cama dos paulistanos que embarcaram na experiência de ver esses caras ao vivo. Depois de 15 anos sem pisar nos palcos, chegou a vez da “The Great Circle 2017 Tour” premiar o Brasil com quatro datas logo após o braço australiano da turnê. Conhecidos por serem envolvidos com causas ambientais e políticas, a banda é daquela que mesmo que não sabe o nome já ouviu as músicas em alto e bom som nas rádios brasileiras e sabe a vibe uplifting que tem.

Já na altura das 20:10 hrs, casa estava lotada. Dava pra dizer que os ingressos tinham esgotado e ainda faltavam mais 10 datas pra dar conta do entusiasmo de quem se encontrava ali. E com precisão britânica (apesar de serem australianos, como mencionamos anteriormente), a banda pisou no palco as 22hrs, com Peter Garrett dominando tudo com sua gaita tocando o início da “Blue Sky Mine”, pra já arrebatar todos de uma vez. Em poucos segundos, a casa toda já estava pulando alto e cantando à plenos pulmões. Era impossível não observar o clima de alegria que havia se instalado naquele local, mesmo em meio a um momento tão delicado que passa o país. Midnight Oil é daquelas bandas que não têm músicas mais ou menos. Todas são hinos que se encaixam em todos os momentos da nossa vida. Quem vai além dos principais sucessos, sabe do que estamos falando.

Peter arriscou o português pra cumprimentar os paulistanos com um “Boa Noite, São Paulo!”, e com um carisma difícil de se ver em outros músicos pelo mundo. Mais uma onda de celebração, palmas e gritos para então entrarmos na “Truganini”, despertando a nostalgia e a energia até o lugar mais longíquo da casa. Não dava pra parar. Foi só depois de “Too Much Sunshine” que os brasileiros puderam ver Garrett se aproximar e expor o quanto estava feliz pelo público os esperarem por tanto tempo. Quem esperou duas décadas para vê-los novamente, certamente estava agradecido por esse momento. Uma enorme salva de palmas e o show partiu para “Redneck Wonderland”, do álbum homônimo de 98, mais uma série de energéticas com “Under the Overpass”, “King of the Mountain”, “Short Memory” que aliás, foi exclusividade de São Paulo, uma vez que não entrou para o setlist das outras cidades.

Por todo o tempo a galera cantava uníssono. Se havia alguém não cantando, certamente não estava parado. “Earth and Sun and Moon”, “Power and The Passion”, “Only The Strong”, “Antarctica” e a maravilhosa “Arctic World” em que Peter cantou ajoelhado junto aos fãs, enlouquecidos na primeira fila. Depois tivemos “Warakurna”, “Dreamworld” e “My Country” intercalando com momentos em que Garrett pausava pra puxar conversa com todos em português, passando a uma versão acústica de “When The Generals Talk” e “Luritja Way” de arranjos extremamente bonitos e impecabilidade instrumental.

Passamos para “U.S Forces”. Pra quem achava que o gás estava acabando, ledo engano. O chão do Espaço das Américas tremia em todas suas extremidades. Era simplesmente impossível parar com um hit atrás do outro. A banda percebia o entusiasmo do público e mandava mais energia de volta. Em poucas apresentações no Brasil, pode-se dizer que um show teve tantos momentos de canto uníssono em um volume tão alto. Midnight Oil certamente sabia o que estava fazendo no palco. Quando acabaram os acordes de “The Dead Hearts” e começaram os primeiros de “Beds Are Burning”, aí sim podíamos jurar que o teto viria abaixo. O público explodiu por ser um dos hits de maior sucesso de todos os tempos. Peter, Jim, Rob, Martin e Bones tinham estampado em seus rostos o êxtase de tocar para o público brasileiro. “Read About It” veio em seguida para recuperar o fôlego, além de “Forgotten Years” para logo dar o devido intervalo de 2 minutos para a banda.

Muitos protestos depois, os músicos voltaram ao palco para mandar “Put Down That Weapon”, “Now or Never Land” e finalmente “Sometimes”, encerrando a apresentação que teve mais de duas horas no total. Foi o momento de se despedir, para o completo desespero de quem (como nós) estava tendo a melhor noite da vida ali. Os australianos deixaram o Espaço das Américas e deixaram também a certeza de que haviam superado e muito as expectativas de quem estava presente. Um show espetacular, energético e memorável. Não só o show, como toda produção da Move Concerts, de promover uma experiência impecável para os fãs de uma das melhores bandas de todos os tempos.

Agradecemos a produção do evento pelo credenciamento!

Kat Chernobyl

Social hacker, eventureira e apaixonada por arte em todas suas formas, Kat se formou em Direito, mas largou tudo para trabalhar com jornalismo e produção de eventos, unindo as duas paixões na agência Miss Backstage, e na coluna de eventos do SaladaWeb.

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *